quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A Colecção de Ourivesaria da Matriz de Ílhavo

Salva com pé / Autor desconhecido
prata fundida, relevada e incisa /  séc. XVI – 1520
marca de contraste de Lisboa nº2535 C;
marca de ourives I.V; marca burilada de oficina 
227g 14 alt x10,7 diam
    Da colecção de ourivesaria da Paróquia de São Salvador de Ílhavo são de destacar quatro importantes peças: a custódia do Divino Salvador em prata dourada do último quartel de 1500, já descrita nestes artigos; uma pequena salva com pé com marca de punção da cidade de Lisboa de cerca de 1520 também de prata com douramento; o relicário cruciforme do Santo Lenho, seiscentista de prata oxidada; e a píxide de prata dourada de finais de seiscentos (1680 a 1695) com marca de contraste de punção da cidade do Porto.
    Do último inventário efectuado a 15 de Maio de 1911 pela Junta da Paróquia e pela Irmandade do Santíssimo Sacramento, ou seja, logo a seguir ao assalto da Igreja Matriz em 3 de Maio do mesmo ano (da qual furtaram 3 cálices de prata dourada, uma salva e 2 galhetas com o respectivo prato, 2 resplendores, 1 píxide e cruz de outra, tudo em prata), são referidos com o nº 16 uma custódia grande dourada e nº21 um relicário de prata com Santo Lenho no peso de 175 gramas. Mesmo com estas perdas o inventário de ourivesaria da Matriz conta, actualmente, com cerca de duzentos e vinte objectos inventariados.
Píxide / Autor desconhecido
prata dourada fundida, relevada e incisa
séc. XVII – 1680 a 1695
marca de contraste do Porto
    A pequena salva com pé, de exímio ornato renascentista, foi uma das peças recentemente encontrada e inventariada. Tem base circular com incisões ao torno e vestígios de douramento no rebordo e prato com decoração de enrolamentos vegetalistas e flores-de-lis em fundo pontilhado rodeando uma corola de flor ao centro. É a mais antiga peça de prata do espólio.
    Deparam-se com frequência peças de primeira ordem do século XVI e XVII sem marcas de punção, como a grande custódia do Divino Salvador e a Cruz-Relicário do Santo Lenho de Ílhavo, numa época em que eram usuais, ao passo que se encontram quase sempre nas secundárias. Porquê? Parecem ser razões as seguintes. As peças de categoria eram sempre encomenda dum cabido ou de um dignitário rico; tratava-se dum negócio só entre dois que não necessitava da intervenção e da verificação legal. Muitas vezes forneciam-se ao ourives peças velhas cuja prata era utilizada na peça que se encomendava; a responsabilidade do material era de quem fazia a encomenda, dando o artista só o trabalho; e, neste caso, ainda menos necessária era a intervenção do contraste. Acontecia ter o ourives modelos seus que não queria divulgar; o contrastador sendo ourives também poderia aproveitar a ocasião do ensaio para fazer uma cópia; o comprador tinha ainda a vaidade de possuir uma peça única.

Cruz-Relicário do Santo Lenho / Autor desconhecido
prata oxidada fundida, relevada e incisa / séc. XVII
sem marcas / 467g  41,4 alt x 13,5 larg

    Na colecção de ourivesaria e metais, existem também: uma âmbula para os santos-óleos em estanho, que se crê datar do século XV-XVI; uma coroa de espinhos da imagem do Senhor dos Passos em prata branca do século XVII; dois resplendores em prata do século XVIII; e um conjunto de bom de cruz processional com lanternas e ciriais em prata, adquiridos pela Irmandade do Santíssimo Sacramento e Almas em 14 de Abril de 1882.
Hugo Cálão
in jornal 'Família Paroquial', de Maio de 2006
 

Feira dos 13 da Vista Alegre em Ílhavo - Alvará régio

   "EU EL-REI faço saber que o Juiz, Vereadores e mais Povo das Villas da Ermida e Ílhavo, da Commarca da Esgueira, me representaram por sua petição, que para bem daquelle Povo, e conveniencia de seus tratos e commercios, e utilidade da cultura de seus campos, necessitavam muito de uma feira franca, e de um mercado cada mez, onde podessem comprar as cousas necessarias, e venderem os seus generos:

    — e porque no sítio da Vista Alegre, termo da Villa de Ílhavo, se tinha fabricado uma Igreja da invocação de Nossa Senhora da Penha de França, com grande magnificencia e sumptuosidade, junto á praia do Rio de Aveiro, me pediam lhes fizesse mercê conceder Alvará, para que em os 13 do mez de Setembro de cada anno, que era o dia da dedicação da mesma Igreja de Nossa Senhora, e no antecedente e subsequentes ao dito dia, se poder fazer feira franca, no dito sitio, de todo o genero de cousas, e em qualquer dos dias de cada mez um mercado.
E visto o mais que allegaram, e o que consta da informação que sobre este particular mandei tomar pelo Provedor da Commarca de Esgueira, ouvindo os Officiaes da Camara, que não tiveram duvida — hei por bem e me praz que se possa fazer a feira e mercado de que tratam, no sítio e tempo que referem, na fórma que pedem; cumprindo-se este Aívará inteiramente, como nelle se contém; e valerá, posto que seu effeito haja de durar mais de um anno, sem embargo da Ordenação do livro 2.° titulo 40 em contrario; e se registará nos Livros das Camaras, e onde mais necessario fôr, para que a todo o tempo conste que eu assim o houve por bem. E não pagaram novos direitos pelos não deverem.

    Miguel de Freitas Corrêa o fez, em Lisboa, a 15 de Julho de 1693.
    Francisco Galvão o fez escrever.=REI.

adenda:. Tendo respeito ao que os supplicantes me representaram— hei por bem que a feira de que o Alvará acima trata, se possa mudar para os 7, 8 e 9 do dito mez de Setembro, e que nelles se faça, assim e da maneira que no dito Alvará se declara. E pagaram de novos direitos 540 réis.
Martim Pires de Lima a fez, em Lisboa, a 16 de Setembro de 1696.
Francisco Galvão a fez escrever. = REI. LiT, LX da Chançellaria fol. 104.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Senhor Jesus dos Navegantes - Património artístico de culto

in Cálão, Hugo, Madaíl, Isabel,
Senhor Jesus dos Navegantes - Mar e Devoção,  2007, pp. 24-34.
Ed. Paróquia de São Salvador de Ílhavo, nº depósito legal 262970/07


   Existem vários objectos ligados ao culto da imagem do Senhor Jesus dos Navegantes no espólio artístico da Igreja Matriz de Ílhavo. Entre estes, são de destacar: dezanove quadros de ex-votos, desenhados e pintados, representando naufrágios e promessas dos marítimos ilhavenses, na sua maioria de finais do séc. XIX e que, antigamente, preenchiam na íntegra a parede lateral, entre o retábulo de altar das Almas e o retábulo de altar do Senhor Jesus dos Navegantes; ramos de flores artificiais, oferenda das mordomas; jarras de porcelana e prata; seis faixas bordadas a matiz e fio metálico de adorno da imagem e duas cabeleiras naturais.

Ex-votos do Senhor Jesus dos Navegantes de Ílhavo:

1. Ex-voto Senhor Jesus dos Navegantes– Campanha da Costa Nova – finais do séc. XIX
Autor desconhecido / aguarela sobre papel / 56x41 cm
exp. Ex-votos Matosinhos 1963 nº80; Ex-votos Lisboa 1983 nº46; Ílhavo 2006
   Pintura votiva em aguarela sobre papel oferecida como ex-voto ao Senhor Jesus dos Navegantes da paróquia de São Salvador de Ílhavo, representando uma embarcação de campanha de costa em faina,com mar revolto, vendo-se do lado esquerdo parte da praia com figuras e palheiros. No zona superior esquerda encontra-se a imagem do Cristo crucificado envolto em raios.
Subscrição na parte inferior da aguarela - Offerecido ao Senr.e Jesus, /Por, Jese Carlos Fernandes Parraxo.

2. Ex-voto Senhor Jesus dos Navegantes – Hiate Rezulvido - 1888
Autor desconhecido / aguarela sobre papel / 63,7x46,1 cm
exp. Ex-votos Matosinhos 1963 nº81; Exvotos Lisboa 1983 nº116; Ílhavo 2006
   Pintura  votiva em aguarela sobre papel, oferecida como ex-voto ao Senhor Jesus dos Navegantes da paróquia de São Salvador de Ílhavo. Representa o resgate da tripulação do iate Rezulvido, naufragado em 4 de Janeiro de 1888. À esquerda em cima, na linha do horizonte entre o céu e um mar revolto, está representado o vapor francês "Vila Tarragona", com três mastros e duas chaminés fumegantes, resgatando uma pequena barca de tripulação, entre este, e o iate Rezulvido, em baixo à direita, de dois mastros partidos e em situação
de naufrágio.
   No seu interior vêem-se ainda membros da tripulação pedindo socorro, um destes acenando a bandeira monárquica nacional. No canto superior direito encontra-se a imagem de um Cristo crucificado envolto em raios direito e mandorla, de invocação Senhor Jesus dos Navegantes.
   Subscrição na parte inferior da aguarela: Hiate Rezulvido./Milagre que fes a imagem do Senr. Jesus,
ao Capitão Manoel Simões Vagos, e à sua tripolação,/no dia 3 quando cahio o contramestre ao mar às 11 horas da manhã. E no dia 4 é que dezalboramos às 11 horas da noite, e no dia 5 é quando/nos apareceu às 8 horas da manhã, o vapor villa Tarragona francês, procorando todos os meios para nos Salvar, i as 11 horas de manhã é que fomos salvos em Janeiro de 1888.

Vd. mais em artigo do blog Navios e Navegadores de 29 de Junho de 2012: Quebra-cabeças (V): O iate "Resolvido"


3.Ex-voto Senhor Jesus dos Navegantes – Lugre Aliança – 6 Abril 1902
João Cazaux / pintura sobre tela / 57,5x42 cm
exp. Matosinhos 1963 nº78; Lisboa 1983 nº125; Ílhavo 2006
   Pintura votiva sobre tela, oferecida como ex-voto ao Senhor Jesus dos Navegantes da paróquia de São Salvador de Ílhavo. Representa o resgate da tripulação do lugre Aliança, naufragado em 1901. À direita, na linha do horizonte entre o céu e um mar revolto, está representado um lugre com bandeira nacional, com três mastros e casco azul e vermelho, vindo em auxílio do lugre Aliança, representado à esquerda, tombado no seu bordo direito, já sem os seus três mastros e em situação de naufrágio.
   No seu interior vêem-se ainda membros da tripulação pedindo socorro. No canto superior esquerdo encontra-se a imagem de um Cristo crucificado envolto em raios dourados e verdes, de invocação Senhor Jesus dos Navegantes. No canto inferior esquerdo, no primeiro plano, de forma rectangular imitando tecido, encontra-se a subscrição de oferenda.
   Subscrição na parte inferior da pintura: O Lugre Alliança/ Offereçe ao Senhor Jesus/ o/ Capitão António Nunes.


4. Ex-voto Senhor Jesus dos Navegantes – Hiate Ealco – 1º quartel do séc. XX
Autor desconhecido / aguarela sobre papel / 54,4X42,5 cm
exp. Lisboa 1983 nº71; Ílhavo 2006
   Pintura votiva de aguarela sobre papel, oferecida como ex-voto ao Senhor Jesus dos Navegantes da paróquia de São Salvador de Ílhavo. O campo da pintura tem forma elíptica, contornada com faixa preta.
   Representa um hiate de dois mastros, navegando num mar revolto, fustigado por uma grande onda a meio do casco. Tem bandeira nacional (pós 1910), e tabela de denominação Ealco, na ré.
   Subscrição na parte inferior da aguarela: Manoel Pellicas/ Off.ce ao senhor Jesus dos Navegantes. EALCO (no campo da pintura).

Vd. mais em artigo do blog Navios e Navegadores de 20 de Abril de 2012: Quebra-cabeças ( I ): O ex-voto do palhabote “Ealco”



5. Ex-voto Senhor Jesus dos Navegantes – Hiate Barbosa – 22 Abril 1877
Autor desconhecido / aguarela sobre papel / 62,1x48,5 cm
exp. Lisboa 1983 nº114; Ílhavo 2006
   Pintura votiva em aguarela sobre papel, oferecida como ex-voto ao Senhor Jesus dos Navegantes da paróquia de São Salvador de Ílhavo. Representa o iate Barbosa, de dois mastros, navegando num mar revolto. No canto superior esquerdo encontra-se a imagem do Cristo crucificado envolto em raios direitos em mandorla circular de denominação Senhor Jesus dos Navegantes.
   Subscrição na parte inferior da aguarela: Milagre que fes a Imagem do Senr. Jesus no dia 20 de Março de 1877 ao Mestre Joaõ Pereira Ramalheira Junior, i a seus/ companheiros. andando sobre as aguas do Mar, e aquase sem esperanças de vida. Premeteraõ a esta Milagrosa Imagem/ se os livrasse d'esta afronta, de lhe mandar deser Miça, e sermão. E como foraõ salvos compriraõ com a d'ita promessa no /dia 22 d'Abril do dicto anno. Hiate-Barbosa.


6. Ex-voto Senhor Jesus dos Navegantes – Hiate Bragança – Outubro 1868
Autor desconhecido / aguarela sobre cartolina / 62,8x47,8 cm
exp. Lisboa 1983 nº56; Ílhavo 2006
   Pintura votiva em aguarela sobre papel representando o iate Bragança, de dois mastros de vela rasgada em situação de naufrágio. Este ex-voto é o mais antigo datado do espólio do Sr. Jesus dos Navegantes.
   Subscrição na parte inferior da aguarela: Milagre que fes Senr. Jesus ao Capitao Jeronomo das Neves i contramestre Joze Gonçalves Chocha i a seus companheiros/ No dia 25 d'outubro d'1868 Premeteraõ ao Snr. Jasus Si os livraçe d'esta afronta que mandavaõ dizer uma Missa/ Cantada e Sermaõ E logo que chigaram a terra. Compriraõ com a premessa (ilegível) agem da Sn. Jesus Hiate Bragan(ça).


7. Ex-voto Senhor Jesus dos Navegantes – Lugre-Patacho Gaya
Autor desconhecido / aguarela sobre papel / 76x53 cm
exp. Matosinhos 1963 nº77; Lisboa 1983 nº122; Ílhavo 2006
   Pintura votiva em aguarela sobre papel, oferecida como ex-voto ao Senhor Jesus dos Navegantes da paróquia de São Salvador de Ílhavo. Representa o lugre-patacho Gaia, de três mastros, navegando em mar ondulado.
   Subscrição na parte inferior da aguarela: Lugre GAYA da cidade do Porto/ Ao Senhor Jesus dos Navegantes desta villa de Ihavo offerece com todo o/ respeito e a maior devoção/ O capitão de marinha mercante desta villa d'Ilhavo Julio francisco Magano. GAYA (no campo da pintura).

Vd. mais em artigo do blog Navios e Navegadores de 21 de Abril de 2012: Quebra-cabeças ( II ) O ex-voto do lugre-patacho “Gaya“

8. Ex-voto Senhor Jesus dos Navegantes – Barca Violeta – 22 de Setembro 1900
João Cazaux / aguarela sobre papel / 71x53,2 cm
exp. Lisboa 1983; Ílhavo 2006

   Pintura votiva em aguarela sobre papel, oferecida como ex-voto ao Senhor Jesus dos Navegantes da Paróquia de São Salvador de Ílhavo. representa a barca Violeta, de três mastros, despedaçada já sem os dois mastros da ré, em situação de naufrágio. No canto superior esquerdo, por cima de um bote com tripulação, encontra-se a imagem do Cristo crucificado envolto em rais direitos a ouro e verde.
   Subscrição na parte inferior da aguarela: Offerecido ao Senhor Jesus dos Navegantes pelos tripulantes da Barca Violeta - 22-9-1900

Vd. mais em artigo do blog Navios e Navegadores de 15 de Junho de 2012, Quebra-cabeças (IV): O ex-voto da barca “Violeta”




9. Ex-voto Senhor Jesus dos Navegantes – Hiate Julia 3º - 23 Outubro 1897
Mathias / aguarela sobre papel / 62x52 cm
exp. Ílhavo 2006
   Pintura votiva em aguarela sobre papel, oferecida como ex-voto ao Senhor Jesus dos Navegantes da paróquia de São Salvador de Ílhavo. Representa o iate Julia 3º, de dois mastros, navegando num mar revolto, com vela rasgada na ré. No canto superior esquerdo encontra-se a imagem do Cristo crucificado envolto em mandorla circular de denominação Senhor Jesus dos Navegantes.
   Subscrição na parte inferior da aguarela: Offerecido ao Senhor Jesus em promessa por Joaquim Gonçalves Guerra e por Manuel Guerra o Hiate Julia 3º / Ílhavo 23/10/97.

10. Ex-voto Senhor Jesus dos Navegantes – Capitão Mendes 1
Autor desconhecido / pintura sobre tela
exp. Ílhavo 2006
   Pintura votiva em óleo sobre tela, oferecida como ex-voto ao Senhor Jesus dos Navegantes da paróquia de São Salvador de Ílhavo. Representa um iate, de dois mastros, navegando num mar encrespado
perdendo alguma carga. No canto superior direito encontra-se a imagem do Cristo crucificado envolto em raios amarelos de denominação Senhor Jesus dos Navegantes.
   Subscrição na parte inferior da pintura: O Capitão Mendes/ e tripulação/ offerecem ao/ Senhor Jesus.

11. Ex-voto Senhor Jesus dos Navegantes – Brigue Rio Vouga – 21 Setembro 1877
Autor desconhecido / aguarela sobre papel / 76,2x56,2 cm
exp. Ílhavo 2006
      Pintura votiva em aguarela sobre papel, oferecida como ex-voto ao Senhor Jesus dos Navegantes da paróquia de São Salvador de Ílhavo. Representa o brigue Rio Vouga, de dois mastros, navegando num mar revolto. No canto superior esquerdo, em céu cinza nublado, encontra-se a imagem do Cristo crucificado envolto em mandorla circular de denominação Senhor Jesus dos Navegantes.
Subscrição na parte inferior da aguarela: Millagre que fes a imagem da Senr. Jesus ao Joze Simões Chuva Ferreira e aos seus companheiros. Andando sobre as aguas do mar para ir ao porto/ de seu destino; de repente no alto mar, vem hum furacão de vento que durou umas poucas d'horas. E não tendo esperança de salvamento prometeu/ com grande ancia que os salvasse deste perigo, premetendo missa cantada com muzica e sermão. forão salvos e comprirão a promessa no dia 21 de Setembro. Este sufrimento do furacão ao brigue Rio Vouga foi no dia 21 de Abril de 1877.


12. Ex-voto Senhor Jesus dos Navegantes – Lugre Gafanhoto – 29 Janeiro 1933
Palmiro Peixe / guache sobre papel / 62,1x48,5 cm
exp. Ílhavo 2006
   Pintura votiva em guache sobre papel, oferecida como ex-voto ao Senhor Jesus dos Navegantes da paróquia de São Salvador de Ílhavo. Como relata o jornal “o ilhavense de 29 de Janeiro de 1933, representa o lugre de três mastros “Gafanhoto” que “saíra do Porto com carregamento de cimento com destino à barra de Aveiro. Ao aproximar-se de Aveiro fora colhido pelo mau tempo e, fazendo-se ao largo, nunca mais fora visto. Sem mantimentos, sem meios de segurança a sua sorte começou a preocupar toda a gente. É verdade que se confiava na valentia do seu capitão, o nosso patrício Sr. Amândio Mathias Lau, mas também era verdade que, perante os elementos desencadeados, todas as energias sossobram. Começava-se a perder a esperança de salvamento quando numa bela tarde se recebeu telegrama anunciando que o “Gafanhoto” arribara a Leixões com avaria. Nasceu a esperança em muitos corações e secaram-se em muitos olhos lágrimas amaríssimas. Os tripulantes do navio em perigo, que viram a morte diante dos olhos, no momento agudo do perigo ajoelharam no convés do barco e prometeram mandar celebrar missa e sermão ao Senhor Jesus dos Navegantes, se fossem salvos. Cumprem hoje a sua promessa pelo que, na igreja paroquial de Ílhavo terá lugar aquela cerimónia, com sermão pelo reverendo padre António Alves e acompanhamento pela orquestra da Filarmónica Ilhavense.“ No canto superior esquerdo encontra-se a imagem de um Cristo crucificado envolto em raios de luz sobre uma nuvem, de invocação Senhor Jesus dos Navegantes. No canto inferior direito, de forma rectangular, encontra-se a subscrição de oferenda.
   Subscrição na parte inferior da aguarela:"Lugre Gafanhoto" / Ao Senhor Jesus dos Navegantes oferecem: o Capitão Amândio Mathias Lau e tripulação.

13. Ex-voto Senhor Jesus dos Navegantes – Barca Victorioza – 26 Dezembro 1896
ass. Mathias / aguarela sobre papel / 62,1x48,5 cm
   Pintura votiva em aguarela sobre papel, oferecida como ex-voto ao Senhor Jesus dos Navegantes da paróquia de São Salvador de Ílhavo. Representa a barca Victorioza, de três mastros, invertida sendo virada por uma violenta onda. No canto superior direito encontra-se a imagem do Cristo crucificado envolto em mandorla circular de denominação Senhor Jesus dos Navegantes.
   Subscrição na parte inferior da aguarela: Offerecido ao Senhor Jezus em promessa a Barca Victorioza por Thome Lourenço Mano e José dos Santos Marnoto e João Jose Lopes Ilhavo 26/12/96. VICTORIOSA (no campo da pintura).

14. Ex-voto Senhor Jesus Navegantes – Lugre Adamastôr
Autor desconhecido / pintura sobre papel / 60,3x45,4 cm
exp. Ílhavo 2006
   Pintura votiva sobre papel, oferecida como ex-voto ao Senhor Jesus dos Navegantes da paróquia de São Salvador de Ílhavo. Representa o lugre Adamastor, de três mastros, em situação de naufrágio vendo-se do lado direito a tripulação fugindo botes, tentando alcançar uma arriba de costeira da ilha da Madeira. Subscrição na parte inferior da aguarela: Offerece Joaquim de Oliveira da Velha em milagre que fes o Senr. Jesus, a este suplicante, e seus companheiros que vendo-se/ (lan)çados no extenso e azulado osseano Pediram ao Senr. Jesus que os levassem a terra de providencia. Que logo foram secorridos com a ilha da Madeira estes os tripulantes do Lugre (ilegível)astôr.


15. Ex-voto Senhor Jesus dos Navegantes – Barca Oriente
ass. Pinto / pintura sobre cartolina / 64,3x49,5 cm
exp. Coimbra 1968; Ílhavo 2006
   Pintura votiva sobre cartolina, oferecida como ex-voto ao Senhor Jesus dos Navegantes da paróquia de São Salvador de Ílhavo. Representa a barca Oriente, de três mastros, já naufragando vendo-se do lado esquerdo a tripulação fugindo em dois botes a remos, tentando alcançar uma arriba costeira. No canto superior esquerdo encontra-se a imagem do Cristo crucificado envolto em raios amarelos de denominação Senhor Jesus dos Navegantes.
   Subscrição na parte inferior da pintura: O Capitão Rocha e a sua tripulação offerecem ao Senr. Jesus. Barca Oriente.

16. Ex-voto Senhor Jesus dos Navegantes – Hiate Silva Guerra – 23 Fevereiro 1897
Mathias / aguarela sobre papel / 64x45,5 cm
exp. Coimbra 1968; Lisboa 1983; Ílhavo 2006
   Pintura votiva em aguarela sobre papel, oferecida como ex-voto ao Senhor Jesus dos Navegantes da paróquia de São Salvador de Ílhavo. Representa um iate, de dois mastros, fustigado pelas ondas, com a ponta do mastro dianteiro quebrada. No canto superior esquerdo encontra-se a imagem do Cristo crucificado envolto em mandorla circular de denominação Senhor Jesus dos Navegantes.
   Subscrição na parte inferior da aguarela: Offerecido ao Senhor Jesus em promessa o Capitaõ deste Navio Francisco Fernandes Batuta e Tripulação do mesmo,/Ilhavo 23/2/97. SILVA GUERRA (no campo da pintura).

17. Ex-voto Senhor Jesus dos Navegantes – Capitão Mendes 2
A. M. Miranda / pintura a óleo sobre madeira / 52x43,2 cm
   Pintura votiva em óleo sobre madeira, oferecida como ex-voto ao Senhor Jesus dos Navegantes da paróquia de São Salvador de Ílhavo. Representa um lugre, de três mastros, já naufragando vendo-se do lado esquerdo a tripulação fugindo em dois botes a remos, tentando alcançar uma arriba de costeira. No canto superior esquerdo encontra-se a imagem do Cristo crucificado envolto em raios amarelos de denominação Senhor Jesus dos Navegantes.
   Subscrição na parte inferior da pintura: O/ Capitão Mendes/ offerece ao/ Sen. Jesus.


18. Ex-voto Senhor Jesus dos Navegantes – Barca América - 1904
João Cazaux / pintura sobre tela / 86,4x59,5 cm
   Pintura votiva em óleo sobre tela oferecida a Senhor Jesus dos Navegantes da barca América, construída em 1869 e considerada irrecuperável em 1909, após ter “abalroado” a Capela de São Pedro durante uma cheia do Douro quando se encontrava fundeada na foz da cidade do Porto.
   Subscrição em legenda do crucifixo votivo: Oferecido ao Senhor Jesus / pelo capitão José Ançã e seus tripu / lantes em 08-10-1903

Vd. mais em artigo do blog Navios e Navegadores de 5 de Julho de 2012: Quebra-cabeças (VI) O ex-voto da barca "América"

19. Ex-voto Senhor Jesus dos Navegantes – Lugre-Patacho Frederica
A. M. Miranda / pintura a óleo sobre madeira / 49x37,6 cm
exp. Matosinhos 1963 nº79; Ílhavo 2006
   Pintura votiva em óleo sobre madeira oferecida a Senhor Jesus dos Navegantes do lugre-patacho Frederica, Subscrição na parte inferior da pintura: Offerece a / tripulação / do/ “Frederica”/ ao S.nr/ Jesus.



Vd. mais em artigo do blog Navios e Navegadores de 23 de Abril de 2012: Quebra-cabeças ( III ) O ex-voto do patacho “ Frederica “ 


Hugo Cálão

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Registo de Baptismos, Casamentos e Óbitos

Arquivo da Universidade de Coimbra, Livro de Justificações do Arcediagado do Vouga, 1778/1780
PT/AUC/DIO/SEMCBR/017/0001, f.168-172v

Baptismos:
1724-00-00 Josefa Manuel, filha legítima de José Manuel e de Maria Manuel naturais da Légua desta freguesia de Ílhavo, foi baptizado na Igreja Matriz pelo Cura Manuel Ferreira da Graça. Padrinhos: o Pe. Julião Simões e Josefa Nunes, mulher de António Gonçalves da Costa desta freguesia.

1724-06-00 Bento dos Santos, filho legítimo de Manuel dos Santos e Maria da Rocha, moradores no lugar da Coutada, foi baptizado na Igreja Matriz pelo Pe. Cura Manuel Ferreira da Graça. Padrinhos: Bento Francisco da Juliana e Apolónia, filha de João André Branco do lugar da Coutada.

1743-12-28 António dos Santos Fradinho, filho legítimo de Manuel António Fradinho e de Maria Manuel do lugar de Alqueidão desta freguesia de Ílhavo, foi baptizado na Igreja Matriz pelo coadjutor Pe. Luis Ferreira da Graça.

1726-10-21 Joana Clara, filha legítima de António dos Santos e de Julia Vidal naturais e moradores do lugar de Vale de Ílhavo da mesma freguesia, foi baptizada na Igreja Matriz pelo Pe. Manuel Ferreira da Graça, coadjutor nesta freguesia. Padrinhos: o Pe. Cipriano dos Santos e D. Joana Aranha de Novais, mulher de André Botelho de Sá da Vila de Aveiro.

1728-00-00 João de Figueiredo, filho legítimo de João de Figueiredo natural de Aveiro e de Maria da Silva das Neves desta freguesia de Ílhavo, foi baptizado na Igreja Matriz. Padrinhos: o Pe. António Ferreira da Graça e Maria Borges de Almeida, mulher de Manuel André Pinho da freguesia de Ílhavo. 

1735-02-21 João António de Sá Noronha, filho legítimo de Caetano Pacheco e D. Leonor Jacinta de Sá moradores na Vila da Ermida da freguesia de Ílhavo, foi baptizado na Igreja Matriz por D. António de Santa Rosa, cónego regular de S. Agostinho, com licença do Rev. Prior António Dias de Oliveira. Padrinho: João António Rangel de quadros da Vila de Aveiro e D. Teodora de Castro Moura Manuel desta freguesia de Ílhavo.

1746-00-00 Josefa de Oliveira, filha legítima de Manuel de Oliveira Marcos e de Maria Franeira do lugar de Alqueidão e freguesia de Ílhavo, foi baptizada na Igreja Matriz pelo Pe. Dr. Manuel André de Oliveira. Padrinhos: Manuel Gonçalves Corujo do lugar de Alqueidão e Josefa Maria de Oliveira, mulher de Manuel Simões Ratola da Légua da dita freguesia.

1746-03-00 Ana Joaquina de Jesus, filha legítima de Luis Fernandes da Rocha e de Isabel Nunes, moradores em Ílhavo, foi baptizada na Igreja Matriz pelo Pe. António Dias de Oliveira. Padrinhos: Joaquim Manuel da Rocha do lugar de Salgueiro, freguesia de Sôsa e Ana, solteira, filha de João Dias de Oliveira da Vila de Aveiro.

1750-02-00 Joana Maria de Jesus, filha legítima de Apolinário Fernandes e de Maria Teixeira, naturais e moradores nesta freguesia de Ílhavo, foi baptizada na Igreja Matriz pelo Pe. Domingos Ferreira da Graça. Padrinhos: Pe Alexandre Rodrigues Brandão, encomendado da dita freguesia e D. Rita Teresa, irmã do Dr. Tomé Sérgio da Silveira, advogado da freguesia de Ílhavo.

Casamentos:

1732-06-11 Caetano Pacheco Varela filho de Sebastião Pacheco Varela da freguesia de São Miguel da Vila de Aveiro e de Francisca Teresa Cheiroza da freguesia do Espírito Santo da dita Vila de Aveiro, casou com D. Leonor Jacinta de Sá natural da Vila do Couto da Ermida e filha de Pascoal de Sequeira Ferrão e de D. Narcisa Maria de Sá da Ermida desta freguesia de Ílhavo e foram recebidos na presença do Pe. Domingos Ferreira da Graça na Capela de Santiago desta Vila da Ermida desta freguesia de Ílhavo. Tiveram por filho João António de Sá Varela.