segunda-feira, 14 de março de 2011

A Colecção de Escultura da Matriz de Ílhavo

 Encontrando-se Ílhavo numa zona caracterizada por uma grande produção de imagens em pedra (desde a transição do Românico para o Gótico até ao Renascimento), não admira encontrarmos na colecção de escultura da Paróquia de Ílhavo 13 exemplares de escultura deste género. Partindo a maior parte desta produção da cidade de Coimbra e contaminando toda a zona circunvizinha, Aveiro, Viseu e Leiria, a imaginária em pedra calcária, suporte para maior parte destas esculturas, encontra importantes jazidas bem perto de nós na zona de Cantanhede e Ansã.
São Tiago (de Vale de Ílhavo)
Autor desconhecido / séc. XIV – XV 
escultura de vulto a ¾ com as costas escavadas
em pedra calcária policromada 
88 alt x 34 larg x 29 prof
Podemos caracterizar como as mais antigas peças de escultura em pedra calcária as seguintes: uma imagem de São Tiago provavelmente de finais de 1300 e proveniente de Vale de Ílhavo; a imagem da Virgem do Pranto do séc. 15 de fabrico de oficina Coimbrã; um São Sebastião do séc. 15 proveniente da Capela da Coutada e que outrora esteve ao culto na Matriz; e a imagem de São Tiago da Capela da Ermida.

A escultura de São Tiago será proveniente do nicho da porta de fachada da chamada Quinta da Fradinha em Vale de Ílhavo. Foi retirada para a antiga Capela do Espírito Santo de Vale de Ílhavo, possivelmente antes do início do século passado. Tendo sido recolhida para o Museu Marítimo de Ílhavo por Rocha Madhaíl, encontrava-se em situação de depósito desde Março de 1932, quando, levada da Capela do Espírito Santo de Vale de Ílhavo, para incorporar a "Exposição da Semana de Arte Ilhavense", permanecendo em esquecimento e situação reserva desde então. Regressou ao núcleo escultórico da Paróquia de São Salvador de Ílhavo, no dia 7 de Outubro de 2005, após efectuado o levantamento de depósito no Museu Marítimo de Ílhavo.

Testemunho da nossa Idade Média e de um gótico tardio estas esculturas, pela sua raridade, são de inestimável valor devocional e patrimonial. Seguem-se, cronologicamente, também em pedra policromada e de gramática renascentista: a imagem do Divino Salvador, de São João Baptista e de Santo André da Matriz de Ílhavo, possivelmente da segunda metade do séc. 16, marcando e balizando a primitiva Matriz neste período. Existe igualmente, atrás do altar-mór um pequeno lavabo renascentista trabalho também do século 16. Já do séc. 17 existem: a imagem de São Brás e a de Santa Luzia da Matriz e duas imagens representando a Santíssima Trindade de Vale de Ílhavo.


Lavabo
Autor desconhecido / pedra calcária com vestígios de policromia
séc. XVI / 120 alt x 108 larg x 74 prof

Hugo Cálão
in jornal 'Família Paroquial', de Junho de 2006

domingo, 6 de março de 2011

Estatutos das Irmandades da Paróquia de São Salvador de Ílhavo

Nas informações paroquiais de 30 de Maio de 1721 são descritas na matriz de Ílhavo as Confrarias do Santíssimo Sacramento e da Senhora do Rosário, cada uma com mordomia e tombo de rendas de legados, zelando pelos altares colaterais e ainda a Confraria do Senhor Jesus com capela própria existente na naveda igreja, do lado esquerdo, onde se venerava uma imagem milagroza de Christo N. S. Crucificado.
É também descrita na Capela de Nossa Senhora do Pranto uma Confraria de grande concurso de fregueses, com esmolas que tiram os mordomos e rendas de legados que lhe foram deixados.
Descrevem-se ainda nas Capelas dos lugares uma Confraria de São Tiago da Ermida, Confraria do Divino Espírito Santo de Vale de Ílhavo e Confraria de Santo António da Coutada.

As informações paroquiais de 1758 descrevem que, na matriz de São Salvador de Ílhavo, apenas existia uma Irmandade denominada de Irmandade do Bendito Louvado, com Breve do Papa Clemente XXII datado de 15 de Setembro de 1732, com cinco jubileus cada ano e funcionando com cerca de 650 irmãos.
Nesta data é-nos descrito também que na freguesia de São Salvador de Ílhavo existiam ainda oito Confrarias: a do Santíssimo Sacramento, a das Almas, a da Senhora do Rosário, a de Nossa Senhora do Pranto, a do Senhor Jesus, estas com maior número de confrades e ainda a de São Sebastião, a do Espírito Santo em Vale de Ílhavo, a de São Tiago no Couto da Ermida, a de Santo António da Coutada, elegendo mordomos nas oitavas do Natal na Igreja Matriz à qual presidia o pároco. 

Estatutos da Irmandade do Santíssimo Sacramento e Almas de Ílhavo (1843)


26 de Maio de 1941

A Irmandade do Santíssimo Sacramento e Almas de Ílhavo é uma das poucas irmandades ainda no activo.
Irmandade secular, refundada na primitiva Confraria com registos desde o século XVII e descrita em 1721, tem os seus estatutos assinados a 13 de Setembro de 1843.

“Originaes estatutos da Irmandade do Santíssimo Sacramento e Almas, erecta na Igreja Paroquial de São Salvador da Freguesia e Villa de Ílhavo: precedidos do Alvará Régio de dezoito de Fevereiro de 1845, pelo qual forão approvados e confirmados – Foi instalada a dita Irmandade n’esta vila de Ílhavo aos 8 de Dezembro 1845.”

Estes estatutos foram reformulados em 26 de Maio de 1941 com aprovação do prelado de 29, e editados em publicação nesse mesmo ano.
Estatutos da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário da Ermida (1867)

A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário da Ermida, erecta na Capela de São Tiago da Ermida foi instalada a 25 de Julho de 1867, teve como primitivos os estatutos assinados a 21 de Setembro do mesmo ano. Actualmente encontra-se inactiva.

Este estatutos foram reformulados em sessão de 28 de Outubro de 1912, presidindo o Juiz José António Rodrigues Junior , o tesoureiro João Alves Russo, o secretário António Egídio e os vogais Manuel Ferreira da Conceição e João Martins Silvestre, com outros novos estatutos aprovados em 10 de Junho de 1944.

Estatutos da Irmandade de Nossa Senhora das Necessidades dos Moitinhos (1943)

A Irmandade de Nossa Senhora das Necessidades, erecta na Capela do lugar dos Moitinhos teve como primitivos os estatutos assinados a 21 de Maio de 1943. Encontra-se actualmente inactiva.


Estatutos da Irmandade de Santo António da Coutada (1940)


A Irmandade de Santo António da Coutada, erecta na Capela de Santo António no lugar da Coutada foi instalada a 25 de Abril de 1940, teve como primitivos os estatutos assinados no mesmo dia. Encontra-se actualmente inactiva.
Estatutos da Irmandade de Nossa Senhora da Luz e Almas da Légua (1943)


A Irmandade de Nossa Senhora da Luz e Almas, erecta na Capela do lugar da Légua teve como primitivos os estatutos assinados a 27 de Fevereiro de 1943. Encontra-se actualmente inactiva.

Estatutos da Irmandade de Nossa Senhora do Pranto e Dores de Ílhavo (1943)

A Irmandade de Nossa Senhora do Pranto e Dores, erecta na Capela de Nossa Senhora do Pranto em Cimo de Vila de Ílhavo foi refundada na primitiva Confraria já descrita em 1721 e tem estatutos assinados a 8 de Dezembro de 1943, com aprovação do prelado de 21 dos mesmos.


 

sexta-feira, 4 de março de 2011

Decreto de divisão eclesiástica do Distrito Eclesiástico ou Arciprestado de Ílhavo de 1939

Pelo presente documento podemos ver que o distrito eclesiástico ou Arciprestado de Ílhavo compreendia o território de Vagos, tendo arcipreste comum, sendo dividido em 27 de Janeiro de 1939 em dois arciprestados distintos, o de Ílhavo e o de Vagos.

in Arquivo da Paróquia de São Salvador de Ílhavo, PSSILH

Párocos de Ílhavo: D. Pedro de Castilho 1545-1613 : filho do arquiteto Diogo de Castilho e regente do Reino de Portugal

 D. Pedro de Castilho nasceu em meados de 1500 em Coimbra, filho do arquiteto Diogo de Castilho e de sua mulher, D. Isabel Ilharco, neto paterno de João de Castilho, súbdito espanhol que passou a Portugal, descendente da aristocracia das Astúrias.

Foi uma das figuras mais destacadas de Portugal durante o governo da dinastia filipina (1580 - 1640), onde ao abrigo do que ficara estabelecido nas Cortes de Tomar de 1581, a regência do Reino de Portugal devia ser sempre confiado pelo rei a um português, ou em alternativa a um membro da Família Real. Pedro de Castilho foi por duas vezes Vice-Rei de Portugal, de 24 de Maio de 1605 a Fevereiro de 1608 e no ano de 1612.

D. Pedro de Castilho, óleo s/ tela (ass.  Stanislau), séc XVIII
Museu de Angra do Heroísmo (inv. SCAH 740)

Seu pai, Diogo de Castilho, importante arquiteto e escultor biscainho nascido em finais do século XV, em 1528, celebrou um contrato para a reconstrução do portal e das abóbadas da Igreja de Santa Cruz, em Coimbra. Foi a sua última obra de inspiração gótica, pois, a partir dessa altura, converteu-se ao classicismo. Durante mais de cinquenta anos seu pai, trabalhou em parceria com o escultor João de Ruão, o que poderá explicar a renovação arquitectónica do séc. 16 da Matriz de São Salvador de Ílhavo, visível hoje apenas nas quatro esculturas de vulto do primitivo retábulo-mor que suspeitamos de sua autoria: São Salvador, Santo André, São João Baptista e São Cristóvão. Lembramos que pertence a esta cronologia a soberba custódia do Divino Salvador de Ílhavo. Diogo de Castilho e João de Ruão participaram também nas obras de renovação do Convento de Cristo, em Tomar. Substituiu ainda Marcos Pires nas obras da Universidade de Coimbra aquando da sua morte. Faleceu em 1574, com mais de oitenta anos.

Pedro de Castilho seguiu a carreira das letras na Universidade de Coimbra, e depois de ser Mestre de Arte (1562), principiou a estudar teologia. Mais tarde mudou de faculdade, cursando a Faculdade de Cânones, onde se formou em Teologia e Cânones, de que fez exame privado, licenciando-se mais tarde (1572) nesta última matéria.

Arte de navegar de Simão de Oliveira,
dedicada a D. Pedro de Castilho com bispo de Leiria
1606 (Brasão de armas episcopal)
Ordenado sacerdote, foi prior da igreja de São Salvador de Ílhavo, por mercê do cardeal D. Henrique e nomeado deputado do Santo Ofício em Coimbra, onde iniciou funções a 16 de Fevereiro de 1575, e logo de seguida feito visitador da diocese de Coimbra quando nela era bispo D. Manuel de Meneses. Mais tarde beneficiado da igreja de Santo André de Celorico de Basto.


Foi nomeado7.º bispo da Diocese de Angra e confirmado por bula de Gregório XIII em 4 de Julho de 1578, veio para a diocese em 1579. A acção deste prelado típico da Contra-Reforma foi muito controversa, devido principalmente à sua interpretação da jurisdição eclesiástica em relação à jurisdição civil, apoiada pelos jesuítas de Angra. Abriu sucessivos conflitos com o corregedor Ciprião de Figueiredo, que foram julgados nos tribunais de corte contra o bispo. Em 1580, devido ao clima de luta com o corregedor, mudou-se para São Miguel, onde foi apoiante activo de Filipe II, sabendo-se pela correspondência deste que era seu agente preferencial nos Açores. Retirou-se da diocese na armada do marquês de Santa Cruz, em Agosto de 1582. No ano seguinte, passou ao bispado de Leiria (bula de Gregório XIII de 3 de Junho de1583), sendo sucessivamente inquisidor-geral do reino pela Bula de Clemente VIII em 1604, D. Prior da Colegiada de Guimarães, presidente do Paço e esmoler-mor, além de duas vezes governador de Portugal, de 1605 a 1608 e de 1612 a 1613, tudo certamente em paga dos seus serviços à causa filipina.

Por sua ordem publicou-se o primeiro Regimento do Santo Ofício, lei própria pelo qual se governava esta instituição.

Morreu em Lisboa a 31 de Março de 1613, estando sepultado numa capela por si fundada na igreja do Convento de São Domingos de Lisboa.
A capela destinava-se a servir de sepultura para si e para os possuidores do morgado que instituíra na província da Beira. Embora originalmente dedicada a São Tomás, essa capela é hoje a de Nossa Senhora da Defensa, a primeira do corpo da igreja do lado da Epístola. Nela, sobre uma pedra dos degraus do altar, estão gravados os seguintes dizeres:
Mandou fazer esta capela D. Pedro de Castilho, Bispo que foy de Leiria, Presidente do Paço, do Conselho de Sua Magestade, Capellão mór, Inquisidor Geral deste Reyno e Vice-Rey delle duas vezes que nella está sepultado Faleceu a 31 de Março de 1613 annos.



fonte: SilvaManoel Telles da (Marquês de Alegrete), Colecçam dos documentos estatutos e memorias da Academia Real da História Portugueza Academia Real da História Portuguesa, 1722; Retratos dos Bispos de Angra, Museu de Angra do Heroísmo, 2009.

Relação dos casais da Gafanha, Março de 1802

Retrato de Dom Miguel
Pereira Forjaz,
Conde da Feira
( n. 01-11-1769, f. 06-11-1827)
Ofício do Tenente Coronel Luís Gomes de Carvalho, superintendente dos serviços das obras da Barra de Aveiro, a D. Miguel Pereira Forjaz sobre o incidende de terramoto que em 1816 "se sentio muito em Aveiro" e em "um pequeno aballo no cunhal da 1ª Praça do Dique na noute de 2 de Fevereiro em razão do tremor e braveza do mar".

Em relação à zona da Gafanha descreve o seguinte:

"Para que V. E.ª veja como este país se muda favoravelmente por effeito da Barra, remeto a V. E.ª o estado do que erão os casaes da Gafanha em 1802, que se reduzião a 18, e que hoje montão a 38 com 28 juntas de bois; devendo acrescentar, que naquelle tempo os 18 fogos erão mizeraveis e quase nús; e hoje são abastados no seu trato, e bem vestidos nos dias Santos e Domingos.
Deus guade V. E.ª. Aveiro, 5 de Fevereiro de 1816.
III.mo E.mo Sr. D. Miguel Pereira Forjaz.

P.S. A relação é feita pelo Feitor da Obra (da Barra) que por descuido a não assinou.

O Tenente Coronel
Luis Gomes de Carvalho

Relação dos Cazaes q. havião no lugar da Gafanha, em Março de 1802, que presentemente ainda existem e todos com bois, e carros; e os que levão sinal § são os que já prezentemente não tem carro:

José Ferreira                                  Luíza, viúva §
Salvador Domingos                        Thereza de Jesus
António Fernandes Cardoso          Manuel Francisco Soldado
Maria da Rocha                             Jacinto Fernandes
António da Silva                             Manuel Nunes Teixeira
Clara Maria                                    Mariana das Neves §
Manuel Francisco Sarabando §     Maria, viúva §
José dos Santos Pata                      Manuel Nunes Ribau §
Manuel da Rocha §                         Maria Pata §


Relação dos Cazaes q. tem crescido no lugar da Gafanha, athe Janeiro de 1816, e todos com bois, e carros:

António Nunes                                 Jacinto Sarabando 
José Domingues da Graça              Manuel Ferreira Sardo §
Manuel Fernandes Cardoso           António Francisco da Velleirinha
António dos Santos Novo §             José Francisco da Velleirinha
Manuel Fernandes Filipe                Manuel Ramos
José Francisco Sarabando              João Nunes Teixeira
José dos Santos Novo                     Manuel Francisco Gafanha
Thome dos Santos                           António Pata
José Fernandes Calleiro                 Manuel João
Jacnto Nunes §                                Manuel dos Santos Pata