sexta-feira, 13 de maio de 2016

Párocos naturais de Ílhavo: Arcebispo José Pereira Bilhano

O Arcebispo de Évora, José António Pereira Bilhano, nasceu em Ílhavo no dia 22 de Março de 1801 e aqui faleceu, também, a 18 de Setembro de 1890. Foram seus pais João António Bilhano e Rosa Maria de Jesus, casal de pescadores de reconhecida pobreza. Bem novo se inclinou para a vida eclesiástica, mas os poucos haveres de sua família e a morte prematura de seu pai vieram agravar a situação familiar os seus estudos. O seu conterrâneo Dr. Manuel Rocha Couto, ilustre deputado por Aveiro nas legislaturas de 1822/23 e 26/28, reconhecendo-lhe a vocação, e mais que tudo a inteligência, apresentou-o um dia ao bispo de Aveiro D. Manuel Pacheco de Resende, que o tomou sob a sua proteção.
Formou-se em Cânones na Universidade de Coimbra com 22 anos.
 Por morte de D. Manuel Pacheco de Resende, bispo de Aveiro em 17 de Fevereiro de 1837, o então Pe. José António Pereira Bilhano sofreu com esse acontecimento profunda depressão moral, tendo pedido exoneração de todos os cargos que desempenhava, tendo-se retirado para a sua modesta casa de Ílhavo, dedicando-se com a colaboração do padre Fernando Eduardo Pereira, ao ensino de Francês, Latim e Latinidade, História, Geografia, Lógica e Retórica, trabalho que exercia de forma gratuita. Como nessa altura havia poucos estabelecimentos de ensino secundário, Ílhavo tornou-se um grande centro de instrução e de cultura, graças à ação do Arcebispo. Em 1849 foi nomeado pároco de Oliveirinha; e em 1851 provido por concurso na igreja de Ílhavo. Foi eleito deputado pelo círculo de Aveiro em 1853, em companhia de Mendes Leite e Francisco Resende. Em 21 de Fevereiro de 1860 foi-lhe novamente confiado o cargo de vigário-geral do bispado de Aveiro, que exerceu até 17 de Março de 1868, época em que alguns políticos valiosos do distrito o obrigaram a demitir-se, visto não querer cometer a indignidade e violência de forçar os párocos do círculo de Anadia a patrocinar a eleição de um deputado que disputava o mesmo ao conselheiro José Luciano de Castro. Em 21 de Outubro de 1869, sendo ministro da justiça aquele estadista, foi por ele nomeado arcebispo metropolitano de Évora. Partiu para Évora no dia 7 de Junho de 1871 e fez a sua entrada solene no dia 8. Em 1862 estando interrompidas as relações entre Portugal e a Santa Sé, foi-lhe por Gregório XVI delegada a autoridade e jurisdição necessária para todos os negócios espirituais da Diocese de Aveiro, recebendo aquando do restabelecimento das relações carta autografada de sua Santidade agradecendo e reconhecendo os relevantes serviços que prestara à Igreja. O seu governo da Diocese de Évora foi distinto como se pode ver pelas inúmeras medidas adotadas: tomou contas aos conventos, que se não davam desde 1850, obstando assim abusos dos procuradores; acabou com a diversidade de rituais, fazendo adotar o de Paulo VI; obrigou todos os sacerdotes menores de 50 anos a fazerem exame de teologia moral, o que era coisa de que não havia memória no arcebispado, decisão que lhe acarretou grandes desgostos, mas cumprida sem uma única exceção; elevou ao dobro o rendimento da Bula da Santa Cruzada; criou o quadro da Relação e nomeou juízes para este e para o Tribunal da secção Pontifícia, fez a proposta dos juízes à Nunciatura (note-se que havia causas nestes tribunais que à 5 anos não se julgavam por falta de juízes); regulou a forma dos processos e uniformizou uma tabela de emolumentos; criou o lugar de escrivão do contencioso que mão havia no Juízo Eclesiástico; regularizou a tabela da Câmara Eclesiástica; fez à sua custa um Tombo novo das propriedades da Mitra e registou todos os foros na conservatória, também do seu bolso; obrigou todos os párocos a fazerem Rol de Confessados, o que tinha caído em desuso; publicou diversas pastorais sobre residencias dos párocos, catequese, etc. Amigo íntimo de José Estêvão não levava à conta de sacrifícios todas as dedicações que lhe tributou nas situações tempestuosas da sua agitada vida politica. Nas eleições de 1962, quando Aveiro parecia esquecer o seu filho mais ilustre, o arcebispo Pereira Bilhano lançou-se a salvar de vergonha a terra que com tanta ingratidão pagava os benefícios do eminente tribuno, presidindo ao seu funeral em Fevereiro de 1866 e inaugurando o monumento aos mártires da liberdade justiçados em 1829. Governou a Arquidiocese eborense até à sua morte, em 1890, tendo sido coadjuvado nos últimos anos por D. Augusto Eduardo Nunes, que veio a ser o seu sucessor. O Arcebispo aveirense D. João Evangelista de Lima Vidal, bispo de Aveiro, a respeito do Arcebispo Pereira Bilhano escreveu: "morreu em Ílhavo em conceito de santidade. Ainda se conserva, no Museu de Aveiro, a mitra que ele trouxe com pia nobreza na fronte e a cruz episcopal, que lhe aqueceu de virtudes o peito. Será lenda o que se dá conta à hora do meio-dia, quando as chaminés fumegavam do gordo aroma do caldo, ele subia ao mirante da sua casa e pesquisava com um binóculo se alguma porventura estava morta, no meio das outras, desse penacho de fumo pronunciador; e se alguma avistava assim triste, logo corria a dar-lhe a vida que lhe faltava. Pode ser lenda, mas a verdade é que só à volta dos santos as graciosas lendas se tecem. Não é ornato, este das lendas, para todo e qualquer." 

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